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fertilidade masculina e idade

O tempo não espera por ninguém: o impacto da idade na fertilidade masculina

“Quando pensamos em idade, a biologia humana antecede qualquer discriminação de gênero”, Sarah Norcross, diretora do PET, lembrou a platéia, que se reuniu na semana passada no espaço ornamentado do Royal College of Physicians, em Edimburgo.

Enquanto as mulheres têm um ponto de corte biológico para a fertilidade – a menopausa -, tal ponto não foi definido para os homens.

Consequentemente, o tema da idade e da fertilidade masculina fica aquém na política, na pesquisa científica e na percepção pública. Inspirado por um artigo de 2015 recomendando que todos os homens deveriam congelar seus espermatozóides aos 18 anos (ver BioNews 808), este evento foi um passo significativo para lidar com esses desequilíbrios.

A presidente da Sociedade Britânica de Fertilidade, Dra. Jane Stewart, concedeu a cada palestrante oito minutos antes de abrir para uma discussão.

A dificuldade dos dados sobre a idade masculina e a fertilidade

O primeiro a falar foi o professor Allan Pacey, da Universidade de Sheffield, que delineou as dificuldades dos dados sobre a idade masculina e a fertilidade: ou seja, que não há o suficiente, e a obtenção de mais dados requer estudos complexos e caros.

Enquanto cerca de 2 a 3 milhões de mulheres e homens enfrentam problemas de fertilidade ao mesmo tempo, ele disse que os estudos normalmente medem nascidos vivos e negligenciam a idade masculina.

Em sua opinião, a melhor investigação até hoje é um estudo de 2000 de 8500 casais realizado por pesquisadores da Universidade de Bristol, que descobriu que homens com mais de 40 anos apresentavam metade da fertilidade de homens com menos de 25 anos.

No entanto, não houve outros estudos comparáveis desde então. O mais próximo, uma análise de 2006 (ver BioNews 318), descobriu que a concentração não diminui com a idade, mas sim a qualidade dos espermatozóides.

E essa falta de dados geralmente significa que não falamos sobre parentalidade com igualdade, ele apontou. Os pais mais velhos são frequentemente celebrados na mídia, mas as mães mais velhas são criticadas.

O envelhecimento das células

O professor Chris Barratt, da Universidade de Dundee, entregou sua mensagem com a ajuda de Marlon Brando, Tom Cruise e Keith Richards. ‘[Hoje], nós não vemos o envelhecimento da mesma maneira’, ele meditou, contra um pano de fundo de imagens do jovem Marlon Brando e de um Brando de cabelos brancos, versus um estranhamente similar jovem Cruise e um Cruise mais velho, versus um imutável Keith Richards. As células somáticas envelhecem e a percepção desse envelhecimento pode ser alterada. Mas as células germinativas também estão envelhecendo, e isso afeta a qualidade dos gametas produzidos.

O aumento na idade média dos pais nas últimas duas décadas

O professor Barratt fez estudos na Austrália, nos EUA e no Reino Unido, que mostraram um aumento na idade média dos pais nas últimas duas décadas. Com o envelhecimento da população, em 2100 haverá um bilhão extra de adultos entre 25 e 40 anos de idade. Veremos pais mais velhos, e isso vai aumentar os problemas, avisou ele.

As mudanças na testosterona

O palestrante seguinte, o professor Richard Sharpe, investigador principal do Centro de Saúde Reprodutiva da Universidade de Edimburgo, discutiu as mudanças na testosterona.

A testosterona é importante para a produção de espermatozóides e, naturalmente, diminui com a idade, embora isso varie de homem para homem. Homens com baixa testosterona também são mais propensos a ter problemas de saúde, incluindo obesidade, doenças cardiovasculares e diabetes.

Mas estudos mostraram que homens nascidos mais recentemente têm níveis mais baixos de testosterona.

Isso poderia estar relacionado a por que as contagens de esperma também caíram nos últimos 70 anos (BioNews 911)?

“E não vamos esquecer um novo personagem nesta estória – a epigenética”, disse ele, referindo-se às recentes evidências de como as mudanças genéticas podem ser transferidas para o embrião, fazendo com que o impacto da idade masculina na infertilidade seja ainda mais notável.

Fornecendo uma visão do clínico, a palestrante final foi a Dra. Sarah Martins da Silva, ginecologista do Ninewells Hospital and Medical School. A fertilidade feminina é examinada de perto quando os casais visitam clínicas de fertilidade, ou quando a política de financiamento do NHS está sendo considerada.

A influência da idade paterna

Mas a influência da idade paterna é pouco discutida. Por exemplo, a maioria do público não sabe que leva cinco vezes mais tempo para conseguir engravidar quando o pai tem mais de 45 anos.

Ela destacou estudos associando maior idade paterna com maior risco de perda precoce da gravidez e parto prematuro, assim como transtornos mentais complexos como esquizofrenia e transtorno do espectro autista.

Os homens mais velhos também tendem a se associar com mulheres mais maduras, mascarando os efeitos da idade paterna avançada.

A Dra. Martins da Silva sugeriu que os médicos deveriam avaliar a idade masculina e feminina ao considerar opções de tratamento de fertilidade. Ela enfatizou que a idade masculina precisa ser integrada à política de fertilidade, mas isso é um desafio sem consenso sobre o que constitui “idade paterna avançada”.

As conversas haviam fertilizado perguntas. A poluição ambiental pode ser a causa da queda dos níveis de testosterona? O professor Sharpe disse que estava muito menos convencido dessa hipótese do que no início de sua carreira.

Atualmente, algumas regiões do Reino Unido oferecem serviços de bancos de esperma para homens cuja fertilidade pode ser afetada por tratamento médico.

Mas todos os jovens de 18 anos deveriam congelar sêmen?

O Professor Pacey (novamente, veja BioNews 809), disse que o congelamento para todos os jovens estava longe de ser um processo simples ou barato, e aumentaria a dívida do NHS – melhor gastar o dinheiro em um programa de educação sobre fertilidade para homens. Ele também alertou contra a fixação de limites de idade na fertilidade masculina. Sempre há exceções à regra, e não há dados suficientes para isso.

E a infertilidade masculina?

Sarah Norcross perguntou o que poderíamos ou deveríamos fazer agora sobre a infertilidade masculina?

“Olhe para isso de um ponto de vista futuro”, instigou o professor Barratt. “Se temos resultados consistentes agora, por que não estamos fazendo nada sobre isso? Atualmente a única coisa que é oferecida para todos os homens é o congelamento. Não surgiram novos tratamentos para a infertilidade masculina, já que a ICSI (injeção intracitoplasmática de espermatozóides) foi desenvolvida em 1992.

O professor Sharpe disse que o foco nas mulheres também criou a mentalidade de que a infertilidade masculina é um problema não resolvido, quando na verdade é um problema ainda não analisado.

Escrito por: Annabel Slater
Este artigo foi reproduzido com permissão da fonte e publicado originalmente em inglês pela Progress Educational Trust – BioNews, para ler o artigo original por favor acesse:
Time waits for no man: the impact of age on male fertility.

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